Novos hábitos de empresas para vendas em uma pós-pandemia

A pandemia trouxe novas experiências para as pessoas, e com isso, novos hábitos também surgiram na sociedade pós-pandemia. 

Portanto, o consumidor antes da Covid-19 já não é mais o mesmo, e passou a agir, pensar e consumir de formas muito diferentes. 

Para saber mais sobre esses novos costumes e práticas que já fazem parte do dia a dia do brasileiro e que continuarão em uma pós-pandemia, continue a leitura.

Novas experiências com a pandemia

Muitas pessoas não achavam que o trabalho remoto era viável, até serem obrigadas a exercerem suas funções trabalhando em casa. 

Essas mesmas pessoas hoje não imaginam voltar a trabalhar em um escritório, já que descobriram diversas vantagens, como por exemplo poder passar mais tempo com a família. 

Como resultado, dentre os indivíduos que passaram por uma grande mudança em suas vidas com a pandemia, estão também os líderes das grandes empresas. 

As prioridades mudaram, e o consumidor adotou novos hábitos passando a cobrar o posicionamento das marcas que consome, seja para causas sociais ou ambientais. 

Pensando nisso, a Folha ouviu líderes das grandes companhias para entender quais são as grandes mudanças no comportamento do consumidor. 

Entre elas, mudanças que mesmo com a pandemia sob controle, permanecerão. Conheça algumas delas abaixo. 

1- O tempo do consumidor

Com a chance de estudar e trabalhar de forma remota com a Covid-19, foi conferido por parte da população um ganho significativo de tempo. 

Isso porque já não era mais necessário passar horas no trânsito e as demandas diárias passaram a ser feitas de forma online. 

Com essa sobra de tempo, o consumidor passou a acompanhar outras demandas, como o cuidado com a casa e a apoiar os filhos no ensino remoto. 

Pensando nesse cenário e o que o consumidor precisa, muitas empresas perceberam que é preciso segui-lo de perto e oferecer soluções mais rápidas e cômodas. 

Um exemplo prático foi o McDonald’s que através de pesquisas identificou que precisava apostar em estratégias 3D: delivery, drive-thru e digital.

Ele criou então o Méquizap (robô de comunicação via WhatsApp), o Méqui Sem Fila (compra remota e retirada do pedido no balcão) e uma plataforma só para drive-thru. 

“No Brasil, só em 2020, houve um salto de US $10 bilhões no faturamento online, para US $26 bilhões”, afirma Marcel Motta, diretor-geral no Brasil da empresa de pesquisas Euromonitor International.

Ele ainda diz que “muita gente passou a comprar online durante a pandemia e teve uma boa experiência. Não vão voltar atrás.”

2- Presença online e offline

Se fazer presente em diversas ocasiões de compra ajuda o consumidor que tem escassez de tempo ou a atenção dividida. 

Ainda na pandemia, vimos que shoppings e comércios chegaram a ficar fechados por muito tempo, e quando abertos, com restrições de horários.

Dessa forma foi preciso rever o modelo de negócio e criar novas possibilidades para continuar no mercado. 

De acordo com Ellen Wedemann, diretora-geral no Brasil da multinacional de pesquisas Kantar, “o número de ocasiões de consumo dentro de casa subiu de três para cinco durante a pandemia”.

Ainda, ela afirma que o número de lojas que o consumidor passou a visitar diminuiu de oito para quatro, com parte das compras realizadas de forma remota. 

Sendo assim, até mesmo para uma pós-pandemia, não é difícil notar a importância de estar cada vez mais presente em diversas ocasiões de compra. 

3- O cliente vendedor

Com o isolamento social, muitos consumidores foram para o digital. Dessa forma, o passeio no shopping ou no parque passou a ser feito pelo feed das redes sociais.

Só no primeiro trimestre do ano de 2021, o faturamento do comércio eletrônico no país cresceu 38,2% com relação ao mesmo período em 2020, de acordo com a consultoria Ebit|Nielsen. 

Ainda, essa alta foi motivada pelas redes sociais, onde as vendas avançaram 45% em sua comparação anual.

Além disso, aulo Corrêa, da C&A diz que “é impressionante o número de consumidoras que chegam às lojas com um print nas mãos, querendo determinada roupa do Instagram ou do Facebook”.

Pensando nisso, empresas começaram a transformar seus consumidores das redes em vendedores da marca.

A C&A criou o programa Minha C&A, que conta hoje com 4.000 lojinhas. 

Nesse projeto, as consumidoras se tornam donas de uma lojinha que é hospedada no site da marca. 

4- Mais empatia com o bolso

Na pandemia, o orçamento do consumidor ficou mais seco. Muitos perderam o emprego e outros tiveram que lidar com a redução do salário. 

Acima de tudo, mostrar empatia nesse momento de orçamento reduzido é importante e apresentar soluções que possam se encaixar nessa nova realidade também. 

Helio Rotenberg, da Positivo, diz que os computadores pessoais subiram de patamar em todos os lares.

E completa dizendo que no início da pandemia, pessoas saíram à procura de computador velho para deixar para os estudantes. Mas logo percebeu que era preciso mais.

Ainda, a empresa anunciou neste ano o licenciamento da marca Compaq no Brasil, que pertence à americana HP. 

Os notebooks são de preço intermediário entre R$2.800 e R$3.500, uma nova opção entre os modelos básicos da linha Positivo e os sofisticados da marca Vaio.

5- Uma sociedade mais sustentável e justa

Muitas pessoas esperam solidariedade das marcas nos momentos de crise como os que estamos vivenciando. 

As contrapartidas ambientais e sociais parecem justas e contribuem para o lucro das grandes empresas. 

Portanto, nos últimos meses do ano passado, cerca de 19 milhões de brasileiros passaram fome e mais da metade dos domicílios enfrentou um grau de insegurança alimentar. 

Esse é um relatório da Rede Penssan (Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional. 

Vimos que muitas empresas passaram a fazer doações durante a pandemia, mas essa questão vai além e resvala todas as desigualdades estruturais da sociedade. 

Juliana Azevedo, da P&G conta que enfrenta a crise sanitária em um local privilegiado, onde trabalha de home office.

Mas completa dizendo “a imensa maioria da população não conta com isso e as empresas precisam compreender esta realidade de perto ajudando a construir soluções”.

6- Aprendendo com os erros

A iniciativa do Carrefour de criar a Mover foi a partir de uma tragédia ocorrida em uma das lojas da empresa.

No ano passado em Porto Alegre, João Alberto Silveira Freitas, de 40 anos, foi assassinado por um segurança da rede.

Ainda, o acontecimento ocorreu na véspera da comemoração do Dia da Consciência Negra no Brasil.

Portanto, esse caso gerou fortes protestos em diferentes cidades do país, na esteira do movimento “vidas negras importam”, desencadeado nos Estados Unidos.

O presidente do Carrefour no Brasil, Noel Prioux, se pronunciou dizendo “assumimos a nossa responsabilidade no caso e procuramos entender os motivos que levaram a esse desfecho”.

Hoje a empresa é pioneira na contratação e nos treinamentos dos próprios agentes de segurança.

Ainda, a rede investe em compensações, assumindo compromisso com autoridades públicas com o objetivo de promover ações em favor da igualdade racial. 

E você, já pensou em adotar novas estratégias de venda pensando em uma pós-pandemia?

Além disso, saiba que o consumidor ideal para o seu negócio já tem novos hábitos e não consome mais as mesmas coisas de antes. 

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Postado em Empreendedorismo, Estratégia