Fusões e Aquisições: O movimento do mercado de locadoras de veículos.

Você sabe como funcionam os processos de Fusões e Aquisições?

O que aconteceu na fusão da Localiza e Unidas, e a criação de uma empresa de R$ 50 bilhões?

O que essa fusão representa para o mercado de locadora de veículos?

Vamos começar!

Fusão Localiza e Unidas

Duas das maiores empresas de aluguel de automóveis, Localiza e Unidas, anunciaram um acordo para a incorporação de ações, ou uma fusão.

“A transação resultará na união de acionistas que são referência e têm longa experiência na indústria, na combinação de talentos para prover soluções inovadoras em mobilidade, na criação de um player com escala global, comprometido com os mais altos níveis de governança e com ambição para prover a melhor experiência do cliente, aumentando o acesso da população e de empresas ao aluguel de carros”, diz a Localiza em fato relevante sobre o negócio. 

O valor de mercado combinado das duas empresas é de 50,5 bilhões de reais: 39,24 bilhões de reais da Localiza e 10,7 bilhões de reais da Unidas. 

A criação desta nova empresa com frota de 470 mil carros resultará em ganhos de sinergia na compra de carros novos e menores despesas gerais e administrativas.

Calcula-se que a nova Localiza chegará a participações de mercado de 61% no aluguel de carros e 24% em gestão de frotas.

Enquanto a Localiza tem destaque operacional no segmento de aluguéis (RaC), a Unidas diferencia-se na parte de Gestão de Frotas, fazendo com que a empresa seja líder de mercado nesses dois segmentos.

Outras sinergias imediatas, além de desconto com montadoras na compra de carros, são a otimização de lojas, melhora na venda de carros seminovos e usados, redução nos custos de manutenção por carro e capacidade de acelerar o crescimento em novos segmentos como aluguéis de automóveis no longo prazo para pessoas físicas.

O cenário das fusões no Brasil

Com as recentes alterações políticas no país, a confiança dos empresários e consumidores melhorou, fomentando também o mercado de Fusões e Aquisições.

Foi assim no setor bancário, com o Itaú e o Bradesco incorporando grandes concorrentes, como as operações brasileiras do Citi e do HSBC. A criação da Via Varejo surgiu após a união da Casas Bahia com o Ponto Frio. Grandes grupos como Kroton, Anima, Anhanguera e DeVry ganharam musculatura com a aquisição de rivais no setor educacional.

Agora vamos passar ponto a ponto sobre os processos de M&A.

Aquisição de empresa

O que é aquisição de empresa?

A aquisição é uma operação complexa em que uma empresa compra o controle total ou parcial acionário de outra.

A compra costuma ocorrer quando uma empresa percebe que é mais vantajoso assumir as operações de outra organização do que investir em uma expansão por contra própria.

Como funciona a aquisição de uma empresa?

O objetivo é o crescimento de uma empresa, uma vez que acaba sendo mais fácil e benéfico assumir as operações de um negócio já existente do que expandir por conta própria.

LEIA  Atendimento ao cliente: Boas práticas para Locadoras

No caso de uma incorporação com participação total, a empresa adquirida pode ser extinta e completamente integrada na adquirente.

Nesse tipo de operação, a compradora a sucede nos direitos e obrigações.

Por outro lado, a empresa adquirida pode operar de modo independente, com maior ou menor grau de integração entre ambas as partes.

Quais precauções tomar para fazer uma aquisição?

Antes de comprar uma empresa é fundamental se questionar se essa aquisição é o melhor investimento para a empresa, e se está alinhada com a estratégia da organização.

Na etapa de análises da empresa adquirida, é importante que o empreendedor faça a avaliação da empresa estudando quais benefícios e riscos essa transação pode trazer e como se concentra o volume de vendas, receita, custos e balanço.

Analisar a solidez do faturamento, e verificar se o faturamento está adequadamente diversificado em número de clientes, se está assegurado por contratos, e também se existem riscos de entradas de novos concorrentes ou novas tecnologias.

Faça um levantamento das despesas fixas e variáveis e analise os números da empresa para entender quando terá o retorno do capital investido.

Além disso, é importante conversar sobre a situação da empresa tanto com os proprietários atuais quanto com funcionários, fornecedores e clientes.

Fusões de empresas

O que é fusão de empresa?

Diferentemente contrário da aquisição, a fusão é uma técnica de reorganização empresarial, caracterizada pela união de duas ou mais empresas em uma nova.

Fusão de empresas é uma operação jurídica que une duas ou mais empresas para dar origem a uma nova organização.

Nesse modelo, as pessoas jurídicas deixam de existir individualmente e formam uma única sociedade, que concentra todo o patrimônio, direitos e obrigações das envolvidas.

Como forma de reorganização empresarial, a fusão é regulamentada pelo art. 228 da Lei das Sociedades Anônimas (Lei nº 6.404/76)

Há várias razões para fundir empresas, desde o aumento da competitividade até a prevenção de riscos no mercado.

Para realizar o processo, é preciso realizar a avaliação do patrimônio e acordar a fusão em uma assembleia geral de acionistas em cada uma das empresas.

Os tipos de fusão de empresas

Há vários tipos de fusão, que variam em níveis de complexidade e objetivos: Fusão horizontal, fusão vertical, conglomerado e extensão de mercado.

Entenda abaixo sobre cada um:

Fusão horizontal

Ocorre entre empresas da mesma indústria, para aumentar a participação de mercado.

Fusão vertical

Ocorre na união de empresas cujos negócios se complementam, buscando criar uma nova solução em conjunto.

Conglomerado 

É a fusão de empresas que possuem atividades totalmente distintas, para aumentar a diversificação dos negócios.

LEIA  5 dicas para aumentar score de crédito

Fusão de extensão de mercado

É a fusão entre duas ou mais empresas que oferecem o mesmo produto ou serviço, mas em mercados diferentes, procurando atingir uma base de clientes maior.

Fusão de extensão de produto

É a união entre duas ou mais empresas cujos produtos estão relacionados e operam no mesmo mercado, com o objetivo de expandir oportunidades.

O mercado de compra e venda de empresas

Atualmente, é possível dividir o mercado de compra e venda de empresas em quatro nichos distintos: de grandes corporações, empresas médias, pequenos negócios e micro empresas.

Quanto maiores os negócios, mais profissionalizado é o mercado.

M&A de grandes empresas

O primeiro deles é formado justamente pelas grandes empresas citadas anteriormente.

Nesse segmento, as transações ocorrem por meio de grandes valores, que ultrapassam os bilhões de reais.

E as operações são geralmente intermediadas por grandes bancos de investimentos.

Médias empresas

O segundo nicho tem médias empresas, também em pequena quantidade, mas que possuem valores expressivos, que chegam a centenas de milhões de reais por operação.

Fusões e aquisições de pequenas empresas

O terceiro grupo é o de pequenas empresas, cujas operações podem chegar a alguns milhões de reais.

Esse nicho é maior que os dois anteriores em quantidade de empresas, cuja venda é geralmente coordenada por assessorias especializadas em compra e venda de negócios.

Fusões e aquisições de micro empresas

O quarto nicho, maior deles no número de empresas, é formado por mais 20 milhões de micro e pequenas empresas.

Vantagens das Fusões e Aquisições

A compra de uma empresa já existente sempre deve adicionar valor tanto para a empresa adquirente quanto para a adquirida.

Adquirir ou unir-se a uma empresa já existente normalmente representa menor risco do que iniciar um negócio do zero.

Esse processo traz inúmeras vantagens e reduz o número de incertezas com relação ao desempenho do negócio.

Uma delas é que a empresa já existente geralmente tem clientes já consolidados. Por isso, não será necessário prospectar clientes de zero.

Além disso, a aquisição tende a aumentar a competitividade da nova empresa, que ganha poder de barganha junto a fornecedores graças ao escalonamento de suas operações.

A grande vantagem das fusões e aquisições é que quando duas ou mais empresas decidem se unir, a empresa que se forma é maior que a soma delas.

As principais vantagens são:

Reduzir custos e ganhar escala

Com uma fusão ou aquisição, geralmente ocorre a união das empresas e a busca de objetivos comuns.

Dado que duas ou mais empresas se tornarão uma única, isso pode significar a otimização de processos, reduzindo ou eliminando desperdícios e corrigindo gargalos.

Nesse processo, as empresas participantes tendem a enxugar a nova estrutura e otimizar os custos ao máximo, traçando novas metas e objetivos em relação às finanças da organização.

LEIA  Como são aplicadas as multas para locadoras de veículos?

Diversificação

A compra e venda de empresas proporciona que os negócios envolvidos foquem em mais de um setor ou em mais de uma atividade.

Neste caso, quando a união em A e B ocorre, o horizonte de ambas as empresas expande e pode produzir ganhos para ambos os negócios.

Um dos principais motivos para unir duas ou mais empresas é combinar as suas fatias do mercado para criar um negócio mais abrangente.

Aumentar as receitas e melhoria dos resultados

A partir da união de duas ou mais empresas, os seus faturamentos também são unificados.

A sinergia gerada entre a união dos mesmos objetivos tendem a tornar as vendas maiores que as suas vendas separadas.

Com um mercado maior, mais vendas e menores custos, significa que o negócio que surge de uma fusão ou de uma aquisição tende a ser maior e mais lucrativo.

Diminuir os riscos de mercado

A empresa que surge de uma fusão sempre tem mais força diante dos riscos e incertezas do mercado, pois aumenta sua capacidade de adaptação.

Basta pensar que as expertises em gestão de riscos são somadas, criando uma organização muito mais resistente e preparada para enfrentar oscilações e adversidades.

Como realizar um bom processo de M&A?

Para que tudo corra bem, é fundamental seguir as regras para fusões e aquisições de empresas e conduzir etapas de identificação, análise e execução do negócio.

Confira algumas dicas para acertar no processo.

Ter um bom plano de execução

O primeiro passo para conduzir uma boa fusão é ter um plano de execução completo, que contemple todos os objetivos e estratégias da operação.

Esse plano deve identificar as ofertas e tecnologias-alvo, considerar fatores críticos de sucesso e definir todas as metas, prazos e responsáveis envolvidos.

Fazer acordos claros

O processo é bastante delicado, e exige acordos muito claros entre os acionistas.

Por isso, é fundamental tomar decisões conjuntas e definir todas as responsabilidades e papéis em assembleia, com prazos fixados para o cumprimento de cada tarefa.

Integrar os colaboradores

A melhor forma de garantir um bom início de operação das fusões e aquisições é começar integrando os colaboradores.

Por isso, esse processo requer comunicação constante, treinamentos e apoio contínuo às equipes para incentivar a colaboração, destacando os benefícios da fusão e dos novos procedimentos.

Avaliar cuidadosamente a empresa

A importância das informações financeiras e contábeis são fundamentais para o processo de fusão e aquisição.

Sendo assim, para calcular quanto vale cada empresa, é preciso conduzir um processo minucioso de valuation, que consiste em uma avaliação quantitativa e sistematizada.

Para isso, você pode estimar o fluxo de caixa, avaliar os riscos e mensurar o potencial de retorno.

Contar com uma contabilidade especializada é muito importante nesse momento.

A Vers pode apoiar a sua locadora nesse momento. Fale conosco.

Postado em Estratégia, Financeiro, SocietárioTagged ,