Como as locadoras estão superando as dificuldades na pandemia?

As grandes locadoras do país e do mundo estão se destacando no mercado mesmo com as dificuldades enfrentadas durante a pandemia do Covid-19.

Com os mais diversos tipos de inovação, as mesmas continuam crescendo e ganhando cada vez mais mercado e clientes por onde passam. 

Para conhecer cada uma delas, entender seus novos serviços e inovações, continue a leitura!

Inovação é a palavra que define o setor das locadoras no último ano

A partir da chegada do Covid-19 no país, muitas empresas se sentiram obrigadas a acelerar a digitalização dos negócios.

Por outro lado, a desmistificação para vários brasileiros que não tinham o hábito de alugar um veículo também aconteceu. 

Ainda, diante de todas as mudanças durante esse cenário, o segmento enfrentou a renovação e a manutenção das frotas.

O mesmo aconteceu com o quadro de colaboradores, onde ainda tivemos o fechamento de algumas montadoras no país. 

De acordo com a Abla (Associação Brasileira de Locadoras de Automóveis) em seu anuário, o ano de 2020 teve números positivos relacionados ao faturamento. 

Esse número chegou a R$17,6 bilhões, um crescimento de 15,2% se comparados com o ano de 2018. 

Paulo Miguel Júnior, presidente da Abla, conta que é justificável tal movimento ainda estar aquecido dentro do nicho. 

Ele conta que as pessoas estão viajando mais de carro do que de avião ou ônibus, onde os viajantes procuram um transporte mais individualizado. 

Outros números divulgados são o número de veículos que o país tem à disposição (1.007.221), dividindo ainda entre categorias. 

A terceirização fica com 52%, o aluguel diário fica com 20%, os aplicativos contam com 20%, e o serviço de assinatura tem 8%, com relação a locação de longo prazo. 

Qual é o balanço do ano?

De acordo com dados do Kayak, a capital paulista lidera o ranking das cidades mais buscadas para a locação. Logo abaixo vem o Rio de Janeiro e Recife.

Miguel Junior conta que no primeiro semestre, o segmento se mostrou bem aquecido e que a taxa de ocupação de locação vem superando o esperado. 

Entretanto, muitas locadoras estão enfrentando problemas com relação à frota, já que o mercado está enfrentando problemas com a falta de insumos devido a pandemia. 

A previsão é de que tudo se normalize no segundo semestre de 2022, o que pode acabar prejudicando o turismo no final do ano. 

O episódio ficou mais conturbado após o movimento de venda de automóveis por parte dessas empresas no início da pandemia. 

Com a paralisação das atividades turísticas após o pronunciamento da OMS, muitos clientes devolveram seus veículos e foi difícil alocar os mesmos de volta na base. 

Um relatório divulgado pelo banco Santander mostra que a falta de automóveis vai pesar no crescimento da frota, mas tende a sustentar as margens EBITDA no nicho de seminovos. 

Isso quer dizer que, mesmo com os problemas com relação às montadoras, o setor deve crescer através da diversificação de negócios feita pelas grandes empresas. 

O diretor de vendas da Localiza, Paulo Henrique Pires, conta que o desafio com relação à falta de semicondutores para a produção de carros é global. 

Ainda, conta que isso vai afetar os clientes, mas destaca que a empresa permanecerá num diálogo aberto e transparente junto com as montadoras. 

Por fim, ele compartilha e reforça que o preço da locação é dinâmico e que diversos fatores são levados em consideração, como a disponibilidade de carros na frota.

Serviço de assinatura 

O diretor da Abla, Miguel Junior, ressalta como o setor está investindo constantemente em tecnologia e inovação com o objetivo de driblar a crise. 

Mesmo com o cenário houve o desenvolvimento acentuado do serviço conhecido como aluguel por assinatura. 

De acordo com os dados da Abla, 80 mil veículos já estão sendo destinados para esse perfil de negócio.

Ele conta que para que o mercado reconheça se essa mudança é vantajosa ou não, não basta analisar somente quanto o cliente irá rodar. 

É necessário analisar o quanto o carro deprecia todos os anos e qual é o custo com manutenção, documentação, seguro e emplacamento. 

A locação de veículo te dá a possibilidade de escolher o melhor automóvel de acordo com cada perfil, não sendo necessário usar o mesmo carro o tempo todo. 

Ele termina dizendo que hoje as pessoas olham para o participativo e a locação de carros chega nesse sentido.

Não é necessário ter um carro, mas sim ter um automóvel à disposição, e é isso que as empresas de veículos oferecem, com opção para todos os gostos e bolsos. 

Cartão de mobilidade 

No mercado mundial, empresas precisaram se reinventar para não deixar que tudo o que está acontecendo afetasse a sua operação e o faturamento. 

A Mobility, por exemplo, usou seu know-how para direcionar ofertas de produtos ao mercado nacional. 

O CEO da empresa, Oskar Kedor, conta que assim que foi entendido o cenário da pandemia, cortes foram feitos e o foco foi em manter o caixa vivo. 

Dessa forma, eles passaram a ver o mercado no Brasil com outros olhos, e notaram o aumento da demanda. 

A empresa, que já possui parceria com cerca de 30 locadoras dentro e fora do Brasil, oferta mais de 500 veículos locados.

Oskar conta que as empresas estão se especializando em digitalizar os processos, mas que ainda não pensam de forma digital e não olham para o longo prazo. 

Vale ressaltar que um dos destaques da empresa Mobility é a sua aposta na área de hospitalidade. 

Outro exemplo de locadora com expertise internacional é a alemã Sixt Rent a Car. 

Ela, que trabalha com os Estados Unidos, celebra ter conseguido manter as operações durante todos os últimos meses, e ainda com um bom faturamento. 

Porém, com relação aos problemas da falta de peças e insumos para a entrega dos novos veículos, isso também está afetando a empresa alemã. 

Já sobre as inovações implementadas, a empresa já estava à frente e contava com recursos que auxiliaram na pandemia. 

Uma das facilidades é o aluguel de carro sem contato com um atendente, serviço já oferecido pela empresa há mais de cinco anos.  

O aluguel por assinatura também já fazia parte do portfólio da empresa há cerca de dois anos antes da pandemia, conhecido como “Mobility is a Service”. 

Hoje a Sixt está desenvolvendo um novo site para os agentes de viagens.

E quanto às inovações no Brasil? 

De acordo com Pires, da Localiza, o segmento está crescendo de forma gradual, assim como o turismo. 

Ele afirma que o movimento é notado desde o final do ano passado, principalmente com as pessoas priorizando viagens de carro. 

Falando sobre inovação, hoje a Localiza conta com um setor específico, o Localiza Labs. 

Refere-se a um laboratório de dados e informações que acelerou as soluções de mobilidade para qualificar ainda mais a experiência de cada cliente. 

Durante a pandemia, o Localiza Meoo foi lançado para o carro por assinatura com uma jornada 100% digital. 

Foi ampliado também o Localiza Pass, com a solução de abertura automática de cancelas. 

Outra mudança foi o aumento de 14 para 45 o número de agências com o Localiza Fast, para a jornada online de reserva e retirada de carro. 

Por fim, uma das novidades mais recentes da empresa é o Localiza Zarp, bandeira dedicada para todos os motoristas de aplicativo. 

A experiência é toda digital e o atendimento é customizado, além de agências  e recursos dedicados para esse tipo de público. 

Outro exemplo de inovação é com a Movida, que implementou em 2020 o Web Check-in, ajudando a reduzir a permanência do cliente na loja. 

Dessa forma ao chegar na loja, o cliente já encontra o número da placa do veículo, reduzindo o contato e permanência no ambiente. 

A locadora Unidas também lançou uma solução, mas para livrar os motoristas das filas de pedágio e estacionamentos, o Unidas Pass.

A tecnologia permite o pagamento automático e está disponível para clientes de aluguel de carros em todas as unidades da rede de forma nacional. 

Vale destacar que o futuro das inovações por parte das empresas citadas deve acompanhar o cenário, mesmo com as instabilidades da pandemia. 

Sustentabilidade para as locadoras

A atenção com relação ao meio ambiente faz parte do DNA da Unidas, que se comprometeu em neutralizar suas emissões de carbono até 2028.  

A empresa lançou o programa Carbono Neutro, visando investir em incentivos para o uso de veículos elétricos e dar preferência ao uso do etanol. 

Já a Localiza entrou para a história neste ano como sendo a primeira brasileira do segmento a reportar suas emissões de gases de efeito estufa no GHG Protocol. 

Ainda, essa iniciativa acompanha a evolução da Localiza no cumprimento do Pacto Global da ONU.

Além disso, a Localiza também contribui para a diminuição das emissões de GEE, e em adotar a energia solar em parte das agências e lojas.

Já a Movida tem como metas no curto, médio e longo prazo a manutenção de uma frota jovem, com menor emissão de gases e mais segurança no trânsito.

A mesma também se comprometeu a ser carbono zero até 2030 e carbono positivo em 2040, levando suas atividades para outras frentes. 

Para isso, a empresa investe em veículos elétricos e na democratização do acesso a essa tecnologia. 

Para continuar por dentro do que as grandes empresas do setor tem feito para se destacar mesmo durante a pandemia, clique aqui e acesse o nosso blog

Postado em Empreendedorismo, Estratégia