A crise das montadoras irá se normalizar em 2022?

Como está o cenário do setor com a crise das montadoras? Quais são as expectativas? Tudo irá se normalizar no próximo ano?

Essas são algumas perguntas feitas por muitos profissionais que trabalham com a locação de veículos que tem passado por altos e baixos durante a pandemia. 

A frente da Movida, uma das maiores locadoras de veículos do país, o executivo Renato Franklin viveu 18 meses de dois extremos em sua trajetória profissional.

Ainda, ele compartilha que o setor deve se normalizar em 2022, além de outras perspectivas.

Acompanhe essa e outras respostas importantes desse mercado para os próximos meses a partir do ponto de vista do executivo.

A movida tem chamado atenção pelos resultados recordes, como isso foi viável?

Renato Franklin conta que os resultados da Movida vieram muito acima do esperado, conseguindo entregar recordes em todos os segmentos de atuação. 

Com crescimento em todas as linhas de negócio, a evolução é grande em eficiência operacional e de margem. 

O segundo trimestre foi fechado com o recorde de R$3,6 bilhões de caixa, alavancagem de 2,9 vezes e um Ebitda de R$1,8 bilhão. 

Além disso, a geração de caixa hoje dá uma grande capacidade de crescimento. Outros destaques também aconteceram, com o lucro forte. 

Vale ressaltar que o lucro do primeiro trimestre deste ano é o mesmo de 2019 inteiro. 

O que aconteceu com a gestão das outras empresas do setor?

De acordo com Renato Franklin a Movida agiu diferente do mercado no decorrer de toda a pandemia.

Eles foram os primeiros a vender os carros no primeiro trimestre do último ano, enquanto outras empresas ainda não tinham tomado decisões.

Todo esse adiantamento permitiu que a Movida fosse a primeira a comprar novos veículos, contando hoje com 160 mil carros. 

Qual foi o impacto no resultado da empresa após seu crescimento através de aquisições? 

A Movida adquiriu a CS Frotas, aprovada pela assembleia no dia 26 de Julho, dando para a empresa um maior potencial de crescimento. 

Sua expansão orgânica foi de 22%, e contando com a aquisição da CS, foi de 45% durante a pandemia. 

O setor de gestão de frotas, uma parte de negócio muito relevante na companhia e que entrega a maior margem, de mais de 65% de Ebitda, dobrou de tamanho.

Em dezembro de 2019 ela contava com 38 mil carros e agora conta com 80 mil.

Ainda, a mudança de hábito no deslocamento das pessoas durante o isolamento influenciou muito os negócios da empresa. 

Renato conta que o carro por assinatura para pessoa física foi um dos impulsos mais importantes para o crescimento do negócio. 

Além de ser mais barato que o financiamento, o serviço é mais vantajoso que a compra à vista, se levarmos em conta os benefícios inclusos no que é oferecido. 

Existem outros incentivos? 

Renato acredita que para os próximos três anos, o primeiro incentivo será para a migração do transporte de massa para o transporte individual. 

O segundo incentivo será a flexibilidade do trabalho, pois o home office ampliou a possibilidade de viagens de curta distância. 

Hoje as pessoas podem trabalhar em qualquer lugar, e os grandes picos de locação, como em cidades grandes como São Paulo acabaram. 

Com isso a capacidade operacional da locadora aumentou muito. Os clientes buscam o veículo em uma quinta feira a qualquer hora e ficam mais dias com o carro. 

A duração das locações aumentaram, onde a média de contrato era de dois dias, agora passou a ser de cinco. 

A recuperação da economia ajuda a estimular o crescimento do setor? 

O segundo semestre será um semestre melhor, mas a atuação do setor não depende do ritmo da economia no país. 

Historicamente falando, o setor de locação de veículos é três a quatro vezes o crescimento do PIB. Dessa forma, iremos performar independente do macro. 

Porém, se falarmos a médio prazo, vamos ver um cenário muito positivo para os próximos três anos. 

O mercado de locação todo tem uma frota de 1 milhão, enquanto a quantidade de carros zero para uma pessoa física, mesmo na pandemia é de 1,2 milhão. 

O carro 0km subiu de preço e elevou o valor do usado também. Esse contexto ajuda o mercado?

Renato conta que essa combinação favorece o setor de duas formas. 

A primeira é a inflação, já que está cada vez mais complicado para o cliente adquirir um veículo zero. 

O reajuste do automóvel é historicamente de 4,5% ao ano, e hoje está em um ritmo de 15% a 20% ao ano. 

A segunda é a tendência do mercado automotivo de caminhar para carros mais premium. 

Já que as montadoras estão diminuindo a produção de compactos e aumentando as de SUVs. 

Dessa forma os carros ficaram mais caros e a ofertas de carros de entrada está mais escassa. 

O consumidor diz que existe pouca concorrência no mercado, você concorda? 

A concorrência está racional, e não vejo uma disputa agressiva de preço, então temos conseguido repassar o preço para o consumidor e manter o nosso crescimento. 

Alugar um veículo no Brasil era mais caro que nos EUA ou na Europa, mas mudou bastante. 

Até o momento em que a Movida entrou no mercado, as locadoras cobravam muito caro por carros básicos. 

A tempos atrás 80% da frota eram de modelos com motor 1.0 e cerca de 30% tinham ar condicionado. 

Com o ganho de escala e o aumento na competição, a diária média de um veículo foi caindo e o nível dos veículos foi subindo. 

Com a inflação de 85% nos EUA durante a pandemia na diária de locação, hoje se tornou mais caro alugar um veículo lá do que aqui. 

As montadoras estão enfrentando problemas para produzir veículos. Como a Movida enfrentou essa queda? 

Renato compartilha que o pior da crise das montadoras já passou, e que as coisas estão melhorando aos poucos e devem normalizar até o meio do próximo ano.

De fato estamos comprando menos carros do que gostaríamos, pois não estamos conseguindo. 

Sendo os primeiros a vendas e os primeiros a comprar, isso possibilitou que acordos fossem feitos antes, e de acordo com eles a empresa está sendo bem atendida. 

A movida hoje tem o maior mix de montadoras do mercado, sendo assim, tem menos dependência de uma ou poucas fornecedoras. 

Quais os maiores obstáculos para a recuperação do setor? 

Primeiro devemos dizer que existe um problema estrutural na indústria automotiva do Brasil. 

Existia uma grande expectativa de crescimento forte da economia e isso fez com que muitas montadoras viessem para cá. 

O maior problema que temos é a capacidade ociosa muito grande. Temos a capacidade de produzir 5 milhões por ano e estamos produzindo 2 milhões. 

A partir desse cenário não é possível fazer com que todas as montadoras caibam no país. Hoje temos mais oferta do que demanda. 

E hoje, existe uma demanda para o carro elétrico no país?

Os brasileiros têm preconceito e na grande maioria das vezes não consegue fazer o cálculo do custo de um veículo elétrico. 

Se falarmos do modelo de compartilhamento, ele é ainda mais interessante, já que o tíquete médio é muito alto. 

Se oferecermos um carro elétrico por R$300 ou R$400 a diária, sem gastar gasolina, a diferença da diária se paga no combustível.  

Além disso, o nosso país é dos mais defasados nos investimentos de políticas de incentivo ao carro elétrico hoje. 

Analisando de forma macro, o que falta? 

Hoje existem desafios estruturais que precisam ser resolvidos para destravar o PIB. 

Renato vê que uma reforma administrativa e uma reforma tributária são essenciais para a economia deslanchar, já que os juros contam bastante. 

O custo do capital é pesado e a queda das taxas de juros ajudou bastante, mas agora com os juros subindo, uma parte será repassada para o consumidor. 

Ele ainda acredita que o legado da pandemia será a gestão, pois aprendemos que imprevistos acontecem. 

Após a pandemia ser superada, a indústria está mais flexível e resiliente, pois passa por crises e gera valor. Ainda, o setor deve se normalizar em 2022. 

Agora você está por dentro do mercado das locadoras de veículos e do que esperar para os próximos meses, além do próximo ano. 

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